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o riso dos necrófagos
Zia Soares | Teatro Griot
Portugal

O Riso dos Necrófagos tem como ponto de partida os vestígios da Guerra da Trindade ocorrida em São Tomé e Príncipe - onde os mortos foram amontoados em valas comuns ou nunca encontradas, amontoados no fundo do mar ou no fogo ardido - um exercício de violência perpetrado pelo invasor que acredita que ao despojar os mortos dos seus nomes os condena ao esquecimento. O espectáculo transporta a esfera carnavalesca do percurso celebratório - cumprido anualmente no dia 3 de Fevereiro em homenagem aos mortos - para o chão da performance, construindo a isocronia no corpo dos actuantes. Uma sucessão de tempos que evoluem por via de mecanismos do transe e da possessão - o corpo abre-se a uma espécie de limbo, onde os mortos irrompem a linearidade temporal e os nexos de causalidade dos vivos; o corpo transfigura a cena à medida que os vestígios e os fragmentos da carnificina são devorados pelos actuantes-necrófagos.
É a ilha-necromante.
É o manifesto do riso.
A exultação do riso abençoado pelos mortos.
Um caos que não define a ordem.
Afinal a utopia de esvaziar o mar.