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meteorologia: tempo para matar
Vitória Teles Grilo
Portugal

Esta é uma peça inicialmente criada a partir de material autobiográfico sobre a capacidade de desdobramento da figura humana perante um contexto particular de crise. Nasceu da memória de vários sonhos repetidos onde a figura animal, como ferramenta da transformação e abrigo, teve um papel fundamental na exorcização do imaginário ou da realidade neles vivida. A clareza do que se passava no subconsciente permitiu-me transpor para a realidade concreta muitas questões descobertas apenas através dos sonhos. Agora acordada, estabelece-se uma relação entre os efeitos de uma crise acesa (que sob o ponto de vista sociológico e filosófico se revela histórica) - de valores éticos e culturais - que atravessamos e as escolhas e direcções de uma figura que emerge e se torna central na peça. Paralelamente ao seu percurso, está a tentativa desta figura feminina se desintegrar de um lugar comum de género e suas questões adjacentes, para flutuar entre conceitos e ideias como a operatividade de um corpo que deambula entre o masculino e o feminino e a acção autonomizada pela sobrevivência. É disto que esta figura se quer perder. Será então a sua desfiguração (conceptual) que a salva das trevas? Neste imaginário criado, o caminho da performance surge como ponto de ruptura estrutural do indivíduo pela via do empoderamento precário do corpo.