27 jul a 2 ago 2025
residência de criação
Centro de Artes Performativas do Algarve CAPa
Lilith e Adão
Nuno Nunes
Portugal
texto Francisco Luís Parreira
dramaturgia e encenação Nuno Nunes
co-criação e interpretação Diana Narciso, Hugo Inácio, Pedro Emauz e Sofia Franco
cenografia e figurinos Carolina Reis
música Alexandre Bernardo
desenho de luz Cristóvão Cunha
produção executiva Sofia Estriga
registos vídeo Frandu Almeida (Bodhgaya Films)
produção Propositário Azul
co-produção Teatro Sá da Bandeira (Santarém), Escola da Noite (Coimbra), Chão de Oliva (Sintra)
apoios e acolhimentos CAL – Primeiros Sintomas (Lisboa), DeVIR/CAPa (Faro), Palmilha Dentada (Porto), NACO (Carregal do Sal)
Apoio Fundação GDA
© Carlos Gomes
Deus criou o homem e a mulher à sua imagem e semelhança, a partir do barro da terra. Ela é Lilith, a primeira mulher, a que não se deixou subjugar, a que foi condenada ao exílio por se ter recusado a ficar, no acto da cópula, por baixo de Adão e, na altercação que se seguiu, ter cometido a heresia de gritar o “impronunciável” nome de Deus.
Esta mulher, expurgada do cânone bíblico, persistiu em muitas fontes literárias da tradição hebraica e no imaginário popular, tendo adquirido diversas formas ao longo dos séculos: “demónio alado da noite”, súcubo, rainha dos demónios, coruja, demónio sedutor, etc. Resgatada pelos românticos, afirmou-se mais recentemente como símbolo de rebeldia, de emancipação feminina, de liberdade sexual, e enfim, como símbolo feminista.
Em cena, um homem e uma mulher vivem num mundo e num tempo que reconhecemos como próximo – sem indentificação particular com uma cultura ou nacionalidade, e agem um com o outro a partir de duas condições principais (que os colocam em permanente tensão): ora sucumbem à imposição de “papeis” ditados a partir de fora, ora exprimem a natureza mais genuína de si mesmos.