5 a 16 abr 2021

residência de criação

Centro de Artes Performativas do Algarve CAPa

fim

Carolina Campos & Márcia Lança

Portugal

criação e performance Carolina Campos e Márcia Lança
acompanhamento dramatúrgico Alex Cassal
apoio à criação Daniel Pizamiglio
espaço e luz Letícia Skcrycky
figurinista Ainhoa Vidal
música Cigarra
direcção de produção Ana Carina Paulino
produção VAGAR

Começámos a pensar este espectáculo em Janeiro de 2020 e tivemos que interromper sua realização, devido à pandemia, antes mesmo de conseguirmos financiamentos e tempos de trabalho. Estamos cientes das incertezas quanto ao futuro das artes performativas. Por isso e pela impossibilidade de nos encontrarmos durante os meses de confinamento, fomos atualizando o modo de trabalhar e as possibilidades de dispositivos de apresentação, porém, sem nunca abandonar a ideia de encontro e da presença, que são a base das nossas práticas enquanto artistas.

“A nuvem entra varanda adentro e toma a casa inteira em poucos segundos. Fico paralisada e tudo que consigo enxergar são as cores em movimento. Não há forma, apenas cor por todos os lados e meu corpo lá dentro. Meu corpo dentro de uma cor. Meu corpo cor. Cor po. Cor pó. Por co. Porco. A nuvem acalma. A poeira assenta. Eu sento-me. Eu sinto-me só.
Não sei como me sinto. Nem sei se me sinto. Sinto que não sei. Nem sinto quase nada. Nada do que sinto…. Nada. Não sinto nada. Vejo uma sombra e uma luz. Vejo as minhas mãos lentas e transparentes. Vejo-me em gravitação zero. Não me vejo. Não vejo nada. Nada do que vi ficou na memória. Não tenho memória. Não lembro nada. Não esqueço nada. Não tenho nada. Não sinto roupa. A minha pele é mole e desfaz-se com o toque das minhas mãos fragmento. Não sou nada.
O mundo acabou de novo.”

pág. 15
(Excerto do Texto FIM escrito por Carolina e Márcia)